sábado, 30 de janeiro de 2010

O circo




Atenção meninos e meninas
Hoje é um dia alegre de verdade
Abram as janelas, corram as cortinas
Que o circo chegou à cidade.

Carros de mil cores sirenes a apitar
Guisos de elefantes fazem-se ouvir
Macacos engraçados não param de saltar
E leões numa jaula não param de rugir.

E o Chico na rua, atento ao que se passava
Para casa correu e em voz alta sorriu
Pulou de contente, de tão feliz que estava
Contar aos pais tudo o que na rua viu.

E depois mais tarde, à hora marcada
Tudo foi uma grande emoção
Quando o Chico se sentou na bancada
Com o seu bilhete na mão.

E feliz e radiante ficou ainda mais
Quando à sua volta olhou
E viu outras crianças que estavam com os pais
E de bater as palmas então não parou.

Apagam-se as luzes, está na hora de começar
E tudo fica num silêncio profundo
Ouve-se uma voz no escuro a anunciar
Sejam bem vindos ao maior espectáculo do mundo.

Acendem-se as luzes, com a orquestra a tocar
E o apresentador chegou com a alegria
Muito bem vestido, para anunciar
Este vai ser um momento de magia.

E o mágico apareceu e o Chico aplaudiu
E numa caixa um coelho saltitão tranca
E num gesto de magia a caixa se abriu
Saindo de dentro uma pomba branca.

A seguir lá no alto, numa corda bamba
Dois trapezistas se cruzam no ar
E o Chico de espanto diz—caramba
Enquanto dois tambores estavam a rufar.

Depois aparecem dois cães amestrados
Com um letreiro a frente, com o numero dez
Eles parecem estar tão bem ensinados
Que ladram cinco vezes, um de cada vez.

E um urso gigante, mas desses muito mansos
Muito vaidoso, com a pele luzidia e preta
Trazia ao ombro dois empescoçados gansos
E o três foram dar uma volta de bicicleta.

E o Chico sorria com tudo o que se passava
Quando viu sair do fundo dois elefantes
Ficou a imaginar quanto é que pesava
Cada um destes dois gigantes.

Depois os leões vêm a seguir
E dentro de uma jaula têm que ficar
Entra o domador e param de rugir
E poem a patas da frente no ar.

E com o chicote sempre a estalar
Sempre destemido, sem os leões temer
Faz os leões por entre um arco saltar
Com labaredas de fogo no meio a arder.

E o Chico entusiasmado com as feras a saltar
E com tudo o que via ao seu redor
Pos-se por momentos a pensar
Como gostaria de ser domador.

Um domador que dos animais fosse amigo
Sem ter daquele chicote usar
Sem ter que parecer nada ser um castigo
Fazer apenas dos gestos o seu modo de ensinar.

E estava o Chico nestes pensamentos
Quando o apresentador veio a anunciar
Meninos e meninas são chegados os momentos
De brincar e sorrir...os palhaços estão a chegar.

Chegaram dois palhaços com as calças rotas
E sapatos de metro que a todos fizeram rir
Depois vieram mais dois com as pernas tortas
Que tropeçavam em tudo sem nunca cair.

Que engraçados os dois dos sapatos compridos
Que queriam com os outros dois brincar
Dizendo-lhes bem alto aos seus ouvidos
Vós não sabeis nada do que estais a falar.

E todos começaram a jogar à estalada
Com luvas de borracha, tudo a fingir
E tudo começou à gargalhada
Com dor de barriga até não mais poder rir.

E assim com alegria o espectáculo terminou
Todos aplaudiram e ficaram contentes,
E o Chico do alto da bancada gritou
Viva o circo e os seus intervenientes .

E se há crianças como o Chico no mundo
Que ficaram felizes e com os palhaços sorriram
Pensem os adultos...pensem bem no fundo
Que existem milhoes de crianças que nunca o circo viram.

Eduardo Mesquita.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Boneco de neve


Vou contar-vos uma história
Que à dias se passou comigo
Tenho-a fresquinha na memóra
De como eu fiz um amigo.

Era um dia frio e cinzento
Que estava para chegar
Não tinha chuva nem vento
Só nuvens que vinham do mar.

Estava tudo muito sossegado
No chão só um barulhinho leve
Aos poucos viu-se por todo o lado
Cairem farrapinhos de neve.

E tudo ficou branquinho,
As arvores ,campos e casas
E até mesmo um passarinho
De branco lhe ficaram as asas.

Estava tudo assim tão lindo
Quando uma porta se abriu
Era um menino sorrindo
Quando tudo branco viu.

Saíu para o seu quintal
Uma grande bola de neve fez
A seguir fez outra igual
Enquanto contava até dez.

Com botas quentinhas nos pés
Brincava com tanto afinco
Que uma bola mais pequena fez
Enquanto contava até cinco.

As duas bolas grandes juntou
Sobrepostas com mestria
Desta vez até trinta contou
Pelo esforço que fazia.

No topo pôs a mais pequena
E recuou um pouco a olhar
E com uma calma serena
Olhou o chão a pensar.

E na bola grande do meio
Tres seixos redondos colou
Parecendo um casaco cheio
Dos botões que encontrou.

E um velho chapéu com pala
Que tinha sido do seu avô
Na bola de cima entala
E o boneco com cabeça ficou.

E uma cenoura comprida
Serviu para fazer o nariz
E os olhos ganharam vida
Como o menino quis.

Depois para terminar
Arranjou um pau curvado
Para ter boca e falar
O boneco assim criado.

E no final deste dia cristalino
Uma amizade nasceu
Entre o alegre menino
E o boneco que sou eu.

Eduardo Mesquita.